"Se Cristiano Ronaldo não consegue lidar com Jorge Jesus, que se retire"
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A 'novela' em torno do abandono de Cristiano Ronaldo da principal seleção de Portugal, após uma desavença com Jorge Jesus, continua a dar que falar, um pouco por todo o mundo, e esteve, esta terça-feira, no centro de um intenso debate de ideias entre Gabriel Agbonlahor e Ally McCoist, na rádio britânica talkSPORT.
O primeiro, antigo internacional inglês com praticamente toda a carreira feita ao serviço do Aston Villa (somou 87 golos e 37 assistências ao cabo de 391 jogos oficiais, entre 2005 e 2018), lamentou "a maneira como isto aconteceu", até porque gostava que o avançado do Al Nassr merecia uma despedida como a que Lionel Messi vai ter, no Argentina-Benim.
Ainda assim, não se coibiu de lhe apontar o dedo: "Se Ronaldo não consegue lidar com a maneira como o treinador trabalha, se um está à direita e o outro à esquerda, então, que se retire do futebol internacional. Eu percebo Portugal, enquanto nação. Claramente, há alguém a falar com o treinador e a dizer 'Não podemos ter o nosso melhor jogador de sempre a sair desta maneira. Olha para Messi, tem um jogo amanhã'".
"Isto é um jogo da Liga das Nações. Se estão no jogo e o treinador pensa 'Não me parece que a decisão certa seja lançar Ronaldo, porque preciso de alguém a fazer pressão aqui ou ali'... Mas o treinador está errado ao ter dito a Ronaldo que ia jogar durante 30, 60 ou 90 minutos. Não lhe digas que ele vai jogar. Diz-lhe 'Não vais ser titular. Se eu quiser lançar-te, lanço-te'", acrescentou.
Para o ex-avançado, o problema está, sobretudo, no facto de o madeirense não conseguir aceitar que tem já 41 anos de idade: "Ele ainda pode ter um papel a desempenhar, mas será que Ronaldo consegue lidar com a ideia de que vai passar a ser um jogador de 15 ou 20 minutos? Será que ele consegue lidar com isso? Não me parece que consiga. Acho que ele ainda pensa que é o melhor jogador".
"Permitiram que se instalasse um circo em redor de Cristiano Ronaldo"
Já Ally McCoist, 'lenda viva' do futebol escocês e, sobretudo, do Rangers (marcou 355 golos em 581 partidas, entre 1983 e 1998), assumiu que Jorge Jesus "talvez não devesse ter dito que ia colocar a jogar" Cristiano Ronaldo, mas pediu para que a opinião pública "não se deixe levar" pelo estatuto construído pelo futebolista formado no Sporting, ao longo das duas últimas décadas.
"Aquilo que estão a dizer é que ele deveria ser tratado de forma completamente diferente dos companheiros de equipa. Também me estão a dizer que o treinador e o 'team manager' não podem tomar decisões. Qualquer decisão que um treinador ou 'team manager' toma é suscetível a mudanças", refletu.
"Em muitos sentidos, as pessoas permitiram que se instalasse um circo em redor de Ronaldo. Eu adoro Ronaldo, acho que é absolutamente fantástico. Se for isso que os restantes companheiros de equipa estão a fazer, sim, acho que deve, porque, da última vez que vi, havia onze jogadores portugueses em campo, não um", acrescentou.
"Da última vez que vi, era um jogo coletivo, por muito brilhante que Ronaldo ou Messi sejam. São fantásticos, mas não ganham os jogos sozinhos, têm os companheiros de equipa a correr. Podem ser a estrela da companhia, eu percebo, e inestimáveis para a equipa, mas é um jogo coletivo", concluiu.
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