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Quebeque "merece" ser "um país", diz novo líder independentista

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                    Quebeque
Quebeque "merece" ser "um país", diz novo líder independentista (Foto: Reprodução)

"A corajosa luta dos francófonos na América para se manterem fiéis às suas diferenças culturais só fará sentido quando este povo conseguir o seu país e o reconhecimento que daí advém", declarou Paul Saint-Pierre Plamondon, perante os militantes do Partido do Quebeque (PQ), que celebravam, em Montreal, a vitória da formação independentista nas eleições provinciais.

 

"Merecêmo-lo, merecêmo-lo da mesma forma que todos os outros povos que têm o seu país e a sua democracia", acrescentou o advogado de 49 anos, apelidado de "PSPP", futuro primeiro-ministro da província de nove milhões de habitantes. "É uma questão de sobrevivência", acrescentou.

O PQ, que não governa o Quebeque desde 2014, prometeu organizar um novo referendo sobre a independência, mas precisou que o plebiscito aguardaria o fim do mandato de Donald Trump, em janeiro de 2029, para que o debate pudesse ser "sereno".

"Um referendo é uma oportunidade de decidir por nós próprios. É um gesto de democracia. Cabe a ninguém mais do que a nós, enquanto povo, determinar qual é o nosso futuro nacional", prosseguiu "PSPP", cujos apoiantes entoavam slogans ou cânticos independentistas.

Com cerca de 28% dos votos, de acordo com resultados quase definitivos, o PQ não disporá, no entanto, de maioria absoluta e lançou um apelo a outras formações políticas para poder implementar o seu programa e a promessa de referendo.

O regresso ao poder do PQ numa das províncias mais ricas e populosas do Canadá representa um grande desafio para Mark Carney, numa altura em que não se vislumbra qualquer solução para o conflito comercial com Washington e em que o chefe do Governo canadiano se depara com outras tendências separatistas em Alberta.

Esta rica província petrolífera do oeste do Canadá deverá votar a 19 de outubro para decidir se irá ou não organizar um futuro referendo sobre a independência.

"Construir um Quebeque mais forte está no cerne da nossa missão de construir um Canadá mais forte", declarou Carney, numa mensagem publicada na sua conta na rede social X, afirmando estar "ansioso por trabalhar" com o novo líder da província "para apoiar as empresas e os trabalhadores do Quebeque afetados pelos direitos aduaneiros" norte-americanos.

Se vier a realizar-se, o referendo prometido pelo PQ será o terceiro organizado no Quebeque, após os de 1980 e 1995. O último foi perdido por uma margem estreita pelo campo do "sim" à independência.

A questão da independência sempre dividiu profundamente o Quebeque entre "soberanistas", que pretendem separar-se do Canadá, e "federalistas", mas a ideia de um novo referendo volta, pela primeira vez em 30 anos, ao centro do debate político.

Num outro tema de discórdia futura com o Governo federal, "PSPP" prometeu igualmente "abolir a monarquia" no Quebeque, ou seja, cortar o financiamento da representante da coroa britânica na província, cujo papel — nomeadamente o de promulgar as leis quebequenses — está, no entanto, consagrado na Constituição canadiana.

O Canadá é membro da Commonwealth e o seu chefe de Estado é Carlos III.

Trata-se de uma "farsa que custa dinheiro", denunciou o líder independentista, que diz pretender utilizar aqueles fundos para reduzir o número de sem-abrigo.

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