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Petistas desanimados esperam algo "extraordinário" para derrotar Flávio

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                    Petistas desanimados esperam algo
Petistas desanimados esperam algo "extraordinário" para derrotar Flávio (Foto: Reprodução)

"Deu uma desanimada mesmo, não sei o que vai acontecer daqui para frente", admitiu à Lusa Bruno Maurício, militante do Partido dos Trabalhadores, encostado às grades do Hotel Renaissance, sede da campanha do Presidente e candidato presidencial, na zona nobre da cidade de São Paulo, vestido a rigor com um boné vermelho estampado com "Lula" e vários adesivos estampados na roupa alusivos à esquerda brasileira.

 

Minutos antes, na sala do anfiteatro, os militantes que encheram a sala para ouvir o discurso de Lula da Silva procuravam juntar as tropas com gritos de "Olé Lula", mas a euforia desmedida cheirava a falso e procurava esconder o óbvio: desanimo e surpresa. Ninguém esperava uma diferença de mais de dois milhões de votos para Flávio Bolsonaro, quatro anos depois do pai ter perdido contra o líder petista.

Lá fora, Ricardo, outro militante petista, aguardava a saída das estrelas da esquerda que se encontravam no anfiteatro.

À Lusa, admitiu que esperava uma segunda volta, mas "não esperava que fosse dessa maneira".

"Tem que acontecer alguma coisa muito extraordinária, assim, para mudar", considerou.

De repente, aparece Dilma Rousseff, sucessora do "Lula 01", antiga presidente brasileira, destituída em 2016, que foi uma das primeiras figuras da esquerda a sentir na pele a ascensão da nova direita que viria a levar Jair Bolsonaro ao poder.

Semblante fechado, sem uma expressão no rosto, entra no carro que a aguardava na rua.

"Vamos ver se o cara aguenta três semanas", afirma Alexandre Padilha, ministro da Saúde do Governo de Lula, enquanto levantava a mão e fazia o clássico 'L' de Lula, numa alusão à segunda volta das presidenciais, agendada para 25 de outubro.

Segundo os dados oficiais, Flávio Bolsonaro registou 47,05% dos votos válidos na primeira volta, enquanto Lula da Silva obteve 45,14%, quando estão contabilizadas 99,91% das secções eleitorais.

Lula da Silva tentou dar o mote e animar as tropas desanimadas presentes na sala e que encheram o anfiteatro do Hotel Renaissance: "o jogo vai começar. Estamos na prorrogação".

"Na prorrogação, nós vamos convencer o povo brasileiro da importância de continuarmos o projeto de desenvolvimento tecnológico, científico, exploração de terras raras e minerais críticos, e vamos mostrar o que vai ser o crescimento da nova indústria no Brasil", declarou.

O filho mais velho de Jair Bolsonaro somou este domingo mais de 56 milhões de votos, cerca de dois milhões acima de Lula e aproximadamente dois milhões acima do resultado do pai na primeira volta de 2022.

Flávio Bolsonaro chegou mesmo a apresentar resultados que o davam perto da vitória logo na primeira volta, mas foi perdendo força à medida que foram sendo contabilizados os votos da região Nordeste do país, bastião político da esquerda brasileira.

Antes de serem conhecidos os resultados, fontes da campanha de Lula da Silva tinham avançado que o atual Presidente precisava de, pelo menos, quatro pontos de vantagem para avançar com alguma tranquilidade para a segunda volta, o que não aconteceu.

As sondagens já tinham mostrado, nas últimas semanas, uma tendência de subida de Flávio, candidato do Partido Liberal (PL) por indicação do pai, que se encontra em prisão domiciliária após ter sido condenado por tentativa de golpe de Estado.

No entanto, nem a Quaest nem a Datafolha, as duas empresas de sondagens mais relevantes do país, previram uma vitória clara do senador.

Para a segunda volta, as sondagens publicadas antes deste domingo apontavam para uma disputa muito renhida, com Lula e Flávio em empate técnico.

Lula procura, aos 80 anos, um quarto mandato não consecutivo.

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