Paulo Rangel elogia Nobel da Paz 2026 atribuído a Navi Pillay
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O ministro dos Negócios Estrangeiros português considerou hoje que a atribuição do Nobel da Paz a Navenethem "Navi" Pillay se deve ao seu trabalho "pela igualdade plena" entre seres humanos, que classificou como crucial para a paz no mundo.
"A luta pela igualdade plena de todos os seres humanos, que é no fundo o que está por detrás do trabalho desta jurista sul-africana, é sempre algo que é digno, é sempre um promotor da paz, porque o não reconhecimento da igualdade essencial de todas as pessoas é movimento para, obviamente, criar sempre conflitos", declarou Paulo Rangel.
O ministro dos Negócios Estrangeiros falava aos jornalistas em Bruxelas, onde representou a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, numa reunião de alto nível com o ministro dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde, e reagia à atribuição do prémio Nobel da Paz à jurista sul-africana e ex-presidente do Tribunal Penal Internacional para o Ruanda Navenethem "Navi" Pillay.
Rangel destacou que a "principal leitura" que faz da atribuição do Nobel a esta jurista sul-africana é sobretudo pelo papel que tem desempenhado na luta pela igualdade entre seres humanos, acrescentando que não faz outras leituras, após ter sido questionado se considera que também se deve ao facto de Navi Pillay de ter liderado a comissão da ONU que investigou a ação de Israel na Faixa de Gaza.
O ministro dos Negócios Estrangeiros frisou que o mundo tem "atualmente muitas tensões e muitos conflitos", alguns dos quais devido precisamente a uma "discriminação das pessoas em função da raça, da religião, da orientação sexual, da nacionalidade".
"E o trabalho desta jurista, que é um trabalho de longo prazo e não se resume à sua passagem pelas Nações Unidas, efetivamente está sempre ligado a isso: à ideia de que cada pessoa é titular de direitos humanos iguais a todos os outros e que o facto de muitas vezes isso não ser uma realidade é um fator determinante nos conflitos", indicou.
Paulo Rangel considerou por isso que, na atribuição do Nobel da Paz à jurista sul-africana, está subjacente uma "ligação muito direta" entre o tema "da igualdade entre pessoas" e a sua importância para que haja paz no mundo.
"A paz não é apenas uma questão geopolítica no sentido de equilíbrio de potências. É também uma questão de direitos humanos", destacou.
O Prémio Nobel da Paz 2026 foi atribuído à jurista e ex-presidente do Tribunal Penal Internacional para o Ruanda Navi Pillay, anunciou hoje o Comité Nobel norueguês.
A sul-africana Pillay, de 85 anos, foi reconhecida pelos seus esforços na promoção da paz e do direito internacional, indicou o presidente do Comité Norueguês do Nobel, Jorgen Watne Frydnes.
Navi Pillay foi alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos entre 2008 e 2014 e, mais recentemente, liderou uma comissão da ONU que investigou violações de direitos humanos em Israel e nos territórios palestinianos.
Esta comissão acusou Israel de cometer genocídio na Faixa de Gaza.
"Num momento em que o número de guerras e conflitos está a aumentar e em que os juízes e as instituições de direito internacional estão sob ataque político, o Comité Nobel deseja lembrar que a capacidade de resolver conflitos sem força ou violência depende do Estado de Direito internacional", disse o presidente do comité no anúncio do prémio.