O antigo é o novo novo. Decoração de inspiração "retro" e "vintage"
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Estamos em outubro e o outono instalou-se, tendo-se já acomodado nas nossas vidas, com os ajustes de rotina que vai implicando - note-se a mudança da hora que está para breve! - e também nas nossas casas, que requerem algumas adaptações, nomeadamente em jeito de preparação para o frio, que não deverá tardar. É tempo de maior recolhimento interior, literal e metaforicamente falando, e é também a oportunidade ideal, agora que passamos mais tempo dentro de portas, de repensar a decoração lá de casa.
Ora, como acontece com quase tudo, o design de interiores vai evoluindo ao longo dos tempos e o que ontem era tendência, hoje poderá não ser - o que não obsta a que futuramente volte a ser recuperado... afinal, funcionamos por ciclos. Nos dias que correm, por exemplo, atravessamos um período de transição: o minimalismo mais frio e acromático tem vindo a dar lugar a espaços mais vibrantes e com personalidade mais vincada. Nesta senda, observa-se o resgate do antigo enquadrado nas correntes decorativas mais sofisticadas. Não é à toa que os termos "retro" e "vintage" passaram a povoar cada vez mais o vocabulário corrente.
E não, não precisa de mobilar a casa inteira com antiguidades - a ideia não é transformar o seu lar num museu. O segredo passará por misturar algumas peças de inspiração "retro" ou "vintage" com outras mais contemporâneas e funcionais. A hôma explica como fazer para obter uma composição decorativa equilibrada e cheia de "alma".
"Retro" e "vintage" são a mesma coisa?
© hôma
Muitas vezes, a nível de decoração (e não só), os termos "retro" e "vintage" são usados como sinónimos, evocando sentimentos de nostalgia em relação a décadas passadas - especialmente dos anos 20 aos anos 80 do século XX. Porém, acabam por tratar-se de conceitos diferentes: enquanto o "vintage" se refere a objetos e móveis originais da época, assumindo as marcas da passagem do tempo, o "retro" alude a peças novas fabricadas hoje em dia com design inspirado no passado.
Atualmente, a grande tendência é o "Vintage Moderno": no fundo, um mix & match entre o antigo e o novo, ou melhor entre objetos decorativos com inspiração antiga e objetos contemporâneos.
Há algumas razões que ajudam a explicar este movimento. Por um lado, temos a rejeição ao "fast homeware", que é como quem diz, as pessoas estão a acusar algum cansaço face a casas que parecem catálogos de revista, todas idênticas, e móveis quase descartáveis produzidos em série. Por outro, existe uma crescente preocupação com a sustentabilidade. Por fim, é inegável que há décadas específicas cujo charme decorativo não encontra paralelo, pelo que decalcá-lo será sempre uma tentação.
Assim, as cores quentes dos anos 70 como o castanho-chocolate, caramelo e terracota têm vindo a sobrepor-se aos tons cinzentos, assim como em matéria de texturas o veludo e o bombazine (cotelê) também voltaram em força. Já o glamour dos anos 20 - formas geométricas, detalhes em dourado e arcos - tem vindo a ser reinventado com recurso a materiais sustentáveis; e assistimos também à recuperação de silhuetas mais arredondadas, que remetem para o design de meados do século passado.
Uma viagem no tempo pelas divisões da casa
Já percebemos que peças "retro" oferecem exclusividade e uma narrativa decorativa que móveis novos não conseguem replicar. Mas como devemos conjugar estas peças para evitar a saturação e a confusão dos espaços, alcançando o equilíbrio desejado? Vamos explorar as várias divisões da casa.
Cozinha
Um dos espaços da casa onde aplicar esta estética "retro" resultará numa composição mais divertida é a cozinha. E os eletrodomésticos assumem-se como fortes aliados nessa missão. Chaleiras, fritadeiras, batedeiras, torradeiras, liquidificadores, micro-ondas, ou até mesmo rádios, desde que o design seja de inspiração "vintage", serão excelentes candidatos a considerar. Aliás, qualquer um cujo formato seja arredondado e tenha tons pastel.
Mas também utensílios de cozinha podem ter aqui uma palavra a dizer. Pratos de cerâmica, frascos de vidro, panelas ou, inclusive, uma garrafeira podem contribuir para acrescentar aquele cunho mais antigo de que estamos à procura.
Sala de Estar
Sigamos para a sala de estar, onde a escolha dos materiais poderá revestir-se de particular protagonismo para convocar um ambiente "retro", designadamente, através da mistura do aconchego dos estofados com texturas marcantes e linhas geométricas. Sofás de veludo ou de cabedal desgastado marcarão desde logo a diferença.
Quem diz sofás, diz poltronas, cadeiras ou pufes. Mesas de apoio, estantes, aparadores, móveis de TV, ou biombos são outros dos móveis cujo design poderá transmitir o feeling de viagem no tempo.
Em termos de têxteis, tapetes com texturas felpudas ou padrões geométricos, tal como cortinas e mantas, constituirão com facilidade o elemento "uau" de uma divisão que se quer revivalista.
Quartos
No quarto, é essencial recriar uma atmosfera relaxante, mas nem por isso teremos de excluir peças de mobiliário com mais impacto visual. Dito isto, camas com estrutura de madeira mais escura e/ou cabeceiras trabalhadas serão bem-vindas para selar uma estética "vintage".
A mesma lógica se aplica a cómodas e mesas de cabeceira, com o cuidado de não cair no exagero e de tornar o espaço demasiado pesado. O melhor será conciliar uma destas peças com outras de design mais contemporâneo.
Cadeiras de balanço e baús de viagem afirmam-se como elementos de decoração alusivos a outras épocas que poderão imprimir um toque distintivo.
Mantas, capas de edredão e lençóis com motivos florais ou padrões gráficos são outra boa aposta quando o intuito é que o quarto incorpore reminiscências mais antigas.
De resto, independentemente do compartimento da casa, existem apontamentos decorativos comuns que se alinham com um design que revisita outras décadas. É o caso de candeeiros, lâmpadas, espelhos, molduras, relógios, globos, ou até colunas bluetooth disfarçadas.
Sejamos mais ou menos saudosistas, a verdade é que tudo acaba por ser cíclico, e no design de interiores isso não é exceção. Na decoração, o moderno pode passar pela recuperação do antigo. Contudo, é fundamental saber fazê-lo. O segredo? Uma visita a uma loja hôma pode ser o primeiro passo para transformar a sua casa num espaço que reflete a beleza do passado com um toque contemporâneo.