"NAZA". Equipa ouviu mais de 100 fontes sobre operações de Israel em Gaza
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O documentário, que estreou quinta-feira em Portugal, que retrata a morte em massa de civis na Faixa de Gaza através de testemunhos de militares e oficiais dos serviços de informações israelitas.
O diário britânico defende o "NAZA" – vencedor do Prémio do Júri do Festival de Veneza – perante as críticas das Forças de Defesa de Israel (FDI), que afirmaram que o filme, realizado por Yuval Abraham e Rachel Szor, contém "erros substanciais" e que se baseia em entrevistas a soldados com uma visão apenas parcial do processo de aprovação de alvos.
"É falsa a tentativa das FDI de apresentar os 24 participantes em 'NAZA' como oficiais de baixa patente que apenas intervieram nas fases iniciais do processo de seleção de alvos", afirmou o jornal.
Segundo a produtora do documentário, entre os participantes encontram-se oficiais e soldados que estiveram envolvidos em várias etapas do processo de seleção de alvos na Faixa de Gaza, incluindo nas áreas de informações e operações, bem como na fase final de autorização.
A equipa assegurou ainda que o processo de avaliação da credibilidade dos testemunhos foi rigoroso e incluiu documentos classificados que foram divulgados, bem como a verificação pormenorizada de ataques específicos.
"Ao longo dos últimos três anos, entrevistámos em conjunto mais de 100 fontes conhecedoras dos sistemas das FDI utilizados na guerra na Faixa de Gaza, incluindo oficiais de alta patente diretamente envolvidos na autorização dos ataques", reiterou.
"O The Guardian apoia plenamente o documentário, que se baseia em três anos de investigação exaustiva realizada pelo próprio jornal e pelos nossos colaboradores", sublinhou.
Posteriormente, vários órgãos de comunicação social, entre os quais o The New York Times, o The Washington Post e a Associated Press, confirmaram que as FDI utilizaram sistemas baseados em inteligência artificial durante a ofensiva na Faixa de Gaza e que foram flexibilizadas as salvaguardas destinadas a proteger a população civil, destaca o jornal britânico.
O título "NAZA" tem origem no acrónimo utilizado pelos serviços de informações israelitas para estimar o número de civis que poderão morrer num ataque, danos colaterais, por exemplo, "20 NAZA".
As FDI argumentam que as suas regras distinguem explicitamente entre combatentes e civis e proíbem ataques deliberados contra estes últimos, exigindo simultaneamente aos comandantes que tomem medidas para minimizar os danos causados à população civil.
As FDI afirmaram também que as decisões finais relativas aos ataques – e a avaliação do risco de vítimas civis – eram autorizadas por oficiais.
O comunicado das FDI junta-se a anteriores tentativas de políticos israelitas para desvalorizar "NAZA". Alguns, como o ministro da Cultura, Miki Zohar, chegaram a propor a retirada da nacionalidade israelita aos realizadores do documentário.
As FDI acusaram os autores do documentário de apresentarem uma visão incompleta do processo de seleção de alvos.
Após um representante militar ter revisto o filme, o exército disse num comunicado que os entrevistados levantam "em vários casos especulações e suposições sem fundamento factual" sobre a atuação das FDI.
"O filme 'NAZA' apresenta uma imagem distorcida, enganosa e falsa do processo de planeamento e ataque das FDI", considerou o exército no comunicado.