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"Mensageiros-fantasma do espaço" valem Nobel da Física a Francis Halzen

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"Mensageiros-fantasma do espaço" valem Nobel da Física a Francis Halzen (Foto: Reprodução)

"Os neutrinos são partículas que não pesam quase nada e interagem muito pouco com a matéria. O sol e as estrelas emitem essas partículas em grande quantidade, mas nós temos grande dificuldade em detetá-las", explicou a professora do Instituto Superior Técnico (IST).

 

As descobertas de Halzen vão permitir conhecer melhor o universo, sendo que a tecnologia de ponta desenvolvida para este tipo de investigação acaba normalmente por ter aplicação prática noutras valências do dia-a-dia, referiu a mesma fonte.

O Prémio Nobel da Física foi atribuído a Francis Halzen por contributos decisivos para a descoberta de neutrinos de alta energia de origem astrofísica, de acordo com a Real Academia Sueca de Ciências.

"A ideia do professor foi usar o gelo da Antártida para detetar estas interações que são muito raras", afirmou Patrícia Gonçalves, também presidente do LIP – Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas.

A secretária-geral da academia, Ellen Moons, anunciou que o prémio é sobre "mensageiros-fantasma do espaço" e distingue o professor da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, pelos contributos para o Observatório de Neutrinos IceCube, instalado no Polo Sul.

"É muito importante, porque fazemos a correlação destas partículas com outro tipo de fenómenos, como as ondas gravitacionais, para percebermos o que se passa em núcleos ativos fora da nossa galáxia, para percebermos o universo", referiu Patrícia Gonçalves.

"Inaugurou a época do que nós chamamos a astrofísica de multimensageiros", sublinhou.

O trabalho, considerou, mostra o progresso da humanidade no conhecimento do universo.

"Ele contribuiu para isso, para conhecer melhor, detetar estas partículas que vêm de fora da nossa galáxia de uma forma que nós não tínhamos. Ele desenvolveu o conceito, conseguiu financiamento e a construção do detetor", indicou Patrícia Gonçalves.

Nascido na Bélgica, o cientista de 82 anos descobriu que o gelo no Polo Sul pode ser usado para rastrear partículas conhecidas como neutrinos que, embora muito abundantes no universo, são extremamente difíceis de detetar.

Francis Halzen apresentou pela primeira vez a sua visão para capturar neutrinos no Polo Sul em 1988 e contribuiu para a criação do Observatório de Neutrinos IceCube, um quilómetro cúbico de gelo equipado com sensores de luz que permite aos investigadores captar neutrinos provenientes de processos de altíssima energia no universo distante.

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