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Maus-tratos em creche. Vídeos mostram palmadas na fralda, pernas e rosto

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                    Maus-tratos em creche. Vídeos mostram palmadas na fralda, pernas e rosto
Maus-tratos em creche. Vídeos mostram palmadas na fralda, pernas e rosto (Foto: Reprodução)

Duas funcionárias de uma creche da ilha das Flores, nos Açores, estão a ser investigadas pela suspeita de maus-tratos a bebés e crianças.

 

O caso, que já está sob a alçada do Ministério Público (MP), foi denunciado à Polícia de Segurança Pública (PSP) por uma ex-funcionária, que em apenas três dias gravou 17 vídeos onde é possível ver a violência como que os meninos eram tratados pelas auxiliares em questão.

Até ao momento, as imagens ainda não tinham sido divulgadas, no entanto, esta semana, a TVI teve acesso a elas e transmitiu-as.

O que se vê é chocante. Uma das funcionárias é vista por várias vezes, em diferentes momentos e dias, a colocar as crianças a dormir a sesta de forma bruta. Puxões pelos braços, palavras agressivas, palmadas. Na fralda, nas pernas, na cara. As estaladas ecoam pela sala.

Num outro vídeo, vê-se a outra auxiliar suspeita a dar a sopa a um menino de uma forma hostil. Apesar de um pai ter falado em "mata-leão", quando o caso veio a público, nos vídeos divulgados isso não se vê.

O que se vê é a suspeita a agarrar a cabeça da criança enquanto lhe enfia as colheres de sopa na boca. O que não deixa de ser grave.

À TVI, a ex-funcionária da instituição que denunciou a situação revelou o que a levou a gravar os episódios de violência.

"A minha colega foi de férias e essa senhora veio ter comigo para trabalhar uma semana comigo. Durante três dias, vi coisas inaceitáveis e eu tive de filmar para acreditarem em mim. Metia os pequenos a dormir de forma muito agressiva. Com palmadas. Não só na fralda mas nas pernas, nas mãos. Até na cara", descreveu, lembrando que, antes de denunciar a situação às autoridades, falou com o presidente da instituição sobre o que se passava.

"Mostrei-lhe algumas das filmagens, ele disse que não queria ver mais, que era para eu as guardar e não mostrar a ninguém", contou a jovem, acrescentando que só uma semana depois é que a colega foi despedida.

Entretanto, os pais acabaram por saber da existência das imagens e o que viram deixou-os em choque e começaram a perceber que certos comportamentos dos filhos podiam estar associados aos maus-tratos que ocorriam na creche.

Com o conhecimento do caso, a outra funcionária também acabou por ser afastada e o presidente da Casa do Povo das Lajes acabou por pedir demissão, como revelou no dia 21 de setembro o Notícias ao Minuto.

Presidente não seguiu "trâmites corretos". Não informou restante direção nem pais

Na altura, Gustavo Alves, tesoureiro da Casa do Povo em questão, explicou ao Notícias ao Minuto que as duas funcionárias já tinham sido afastadas da creche - uma despedida e outra apenas afastada, uma vez que é trabalhadora da autarquia - e que o presidente da instituição, assim como o secretário, se tinham demitido.

A instituição assume que "a condução deste processo não seguiu alguns trâmites exigíveis pela sua complexidade, o que levou a presidência a assumir a responsabilidade e a se demitir do cargo, seguindo-se solidariamente o secretário, por terem ambos muitos anos de contributo cívico neste âmbito".

Agora, à TVI, o tesoureiro da instituição adiantou que o presidente da Casa do Povo das Lajes das Flores demitiu-se porque percebeu que não tinha seguido os "trâmites corretos, que seria falar com a direção, num todo, e pedir que quem captou as imagens as mostrasse, falar com os pais e apresentar a devida queixa nos locais próprios".

Tal como disse na altura ao Notícias ao Minuto, Gustavo Alves considera que houve empolamento do caso, por exemplo, quando se fala de um "mata-leão". "A criança é um bocado agitada e para comer, a funcionária teve de lhe segurar a cabeça para conseguir dar as colheres de sopa", disse, por sua vez, à TVI.

Ao Notícias ao Minuto, Gustavo Alves pediu que não se generalize o comportamento das suspeitas. "As nossas funcionárias e as antigas são e foram de um esforço de trabalho tremendo e de uma entrega e capacidade reconhecidas pela maioria das famílias que utilizaram ou utilizam esta valência essencial para o concelho e não podem estar sob suspeita generalizada de atos que não são, de todo, prática da casa e que têm de ser averiguados antes de se fazer um julgamento sumário, querendo a instituição reiterar que quer o apuramento da verdade, a melhoria contínua das condições para as nossas crianças e restabelecer a confiança dos pais com a instituição", sublinhou.

Para já, nem o presidente, nem o secretário demissionário da Casa do Povo das Lajes das Flores reagiu publicamente ao caso. Até ao momento, só uma criança saiu da creche que é a única que existe no município.

Segurança Social averigua suspeitas de maus-tratos em creche das Flores

O Instituto de Segurança Social dos Açores (ISSA) instaurou um processo de averiguação às suspeitas de maus-tratos na creche Arco Íris da Casa do Povo das Lajes das Flores, nos Açores.

Natacha Nunes Costa | 15:19 - 28/09/2026