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Marta Temido defende Lacerda Sales. "Tentou resolver um problema humano"

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                    Marta Temido defende Lacerda Sales.
Marta Temido defende Lacerda Sales. "Tentou resolver um problema humano" (Foto: Reprodução)

A ex-ministra da Saúde Marta Temido está convicta que o antigo secretário de Estado  António Lacerda Sales não tinha "qualquer intenção de favorecimento" no caso das gémeas luso-brasileiras tratadas com o medicamento Zolgensma no Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

 

"Acredito que não houve qualquer intenção de favorecimento ou de abuso de funções. Isso não tenho dúvidas nenhumas. Aliás, muitos profissionais de saúde, designadamente médicos - e é essa a condição de António Lacerda Sales -, diriam que, se de cada vez que pedimos a realização de uma consulta, [se isso] fosse considerado um crime, teríamos um problema muito sério", afirmou a eurodeputada socialista, em entrevista à rádio Renascença.

Marta Temido, que era ministra da Saúde quando o medicamento mais caro do mundo foi administrado às gémeas luso-brasileiras em Portugal, pede respeito pela presunção de inocência e admite sentir-se "desconfortável" por ver alguém que "estima, considera e respeita" e em quem "acredita" constuído arguido.

A reação da socialista, que  surge dias depois de o Ministério Público (MP) ter constituído arguidas quatro pessoas no processo que ficou conhecido como "caso das gémeas", entre os quais Lacerda Sales,  ocorre dois anos depois de na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ter assumido que o procedimento que levou a administração do Zolgensma nas meninas "não foi normal".

Tal como outros socialistas, como, por exemplo, Augusto Santos Silva, ex-presidente da Assembleia da República (AR), Marta Temido acredita "profundamente na intenção [de Lacerda Sales] de resolver um problema humano sem qualquer abuso de qualquer circunstância e de qualquer título".

A mesma convicção tem a eurodeputada para com o ex-diretor clínico do Hospital Santa Maria, Luís Pinheiro, igualmente acusado no caso.

"O processo não fala, tanto quanto é de conhecimento público, sobre os direitos serem indevidos. O que refere é que alegadamente houve desrespeito por uma portaria. Não acredito nessa intenção de favorecimento, porque acredito na palavra daquilo que me é dito e que me foi transmitido", atirou, garantindo que reagirá "da mesma forma", se surgirem casos semelhantes durante o tempo em que foi ministra da Saúde.

"Como confio na justiça, acredito que no final do processo tudo ficará esclarecido", concluiu.

Recorde-se que, além de Lacerda Sales e Luís Pinheiro, o Ministério Público (MP) também constituíu arguidos Nuno Rebelo de Sousa, filho do ex-Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa e a mãe das meninas que tomaram o Zolgensma, Daniela Martins.

Os primeiros três estão acusados, "em coautoria", da prática do "crime de prevaricação em concurso aparente com o crime de abuso de poderes". Já Daniela está acusada de burla qualificada.

Caso gémeas. "Pedir ajuda é legítimo, uso indevido de relações é que não"

O Notícias ao Minuto foi tentar perceber, junto do advogado Dantas Rodrigues, os meandros judiciais do caso das gémeas luso-brasileiras que receberam o medicamento Zolgensma no Hospital de Santa Maria. Quais os próximos passos? Os "grandes desafios do MP", o que pode levar a mãe das meninas a ser (ou não) condenada? E o filho de Marcelo? Fique com as respostas.

Natacha Nunes Costa | 08:26 - 01/10/2026