Indígenas e funcionários de fazenda do Paraná entram em conflito por imóvel de granja transformado em escola, diz PF

Polícia monitora conflito em fazenda perto de terra indígena em Tamarana Indígenas e funcionários de uma propriedade rural de Tamarana, no norte do Paraná,...

Indígenas e funcionários de fazenda do Paraná entram em conflito por imóvel de granja transformado em escola, diz PF
Indígenas e funcionários de fazenda do Paraná entram em conflito por imóvel de granja transformado em escola, diz PF (Foto: Reprodução)

Polícia monitora conflito em fazenda perto de terra indígena em Tamarana Indígenas e funcionários de uma propriedade rural de Tamarana, no norte do Paraná, entraram em conflito entre a noite de quarta-feira (4) e a manhã desta quinta (5). A Polícia Militar, a Polícia Federal e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) foram chamadas para o local. De acordo com a Polícia Federal (PF), o centro do desentendimento foi o uso de um imóvel onde antes existia uma granja, hoje ocupado pelos indígenas e transformado em uma escola infantil. Houve relatos de disparos de arma de fogo, mas não há confirmação oficial sobre quem teria disparado. Ninguém se feriu. Conforme o relatório divulgado, o conflito aconteceu a quase três quilômetros de distância da Fazenda Tamarana. ✅Siga o g1 Londrina e região no WhatsApp A versão apresentada à PF pelas pessoas que trabalham e moram na fazenda é de que, após a ocupação do imóvel pelos indígenas, alguns pertences de uma moradora ainda estavam no local. E esse foi o motivo apresentado para a entrada na escola. "[...] na presente data, ele [marido da moradora] teria ingressado no cômodo para recuperar tais objetos, momento em que teria sido visualizado por indígenas presentes na área, ocasião em que o conflito teria se iniciado", diz o relatório da PF. Anilton Ayn My Lourenço, indígena e coordenador do movimento de retomada indígena na Fazenda Tamarana, informou à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, que alguns seguranças da propriedade foram ao endereço e derrubaram a porta. A ação gerou revolta nos pais das crianças que estudam no imóvel. "Quando a fizemos essa escola provisória, o caseiro que mora lá, que cuida das coisas do fazendeiro, achou ruim. Aí o fazendeiro contratou uns seguranças para cuidar lá", Anilton disse. "Os seguranças foram lá derrubar a porta do espaço que é usado pras crianças. Os pais não gostaram, as mães não gostaram. E partiram pra cima dos seguranças", relata o líder do movimento dos indígenas. Segundo a PF, quando o conflito começou, os moradores que estavam por perto deixaram o local às pressas, nadando pela represa e usando um carro para escapar. A Polícia Militar foi a primeira a atender a ocorrência e usou drones para monitorar a situação à distância, até a chegada das demais autoridades. Polícia Militar usou drone para monitorar situação à distância Reprodução Os indígenas permanecem no local. A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) disse à RPC que monitora o caso e vai se reunir com os indígenas para que relatem o ocorrido. Existe uma disputa judicial pela Fazenda Tamarana há pelo menos 10 anos. O processo segue sem definição depois que uma decisão da Justiça Federal suspendeu uma reintegração de posse para desocupação da área. A RPC entrou em contato com os advogados dos proprietários da fazenda, mas não houve retorno até a última atualização desta reportagem. Em nota, o Ministério dos Povos Indígenas informou que acompanha a situação. Leia a íntegra da resposta do MPI: "O Ministério dos Povos Indígenas foi notificado no fim do dia de ontem (4) e acompanha a situação por meio do Departamento de Mediação de Conflitos Fundiários para apurar as informações do ocorrido e acionar os órgãos responsáveis, caso seja necessário." Vídeos mais assistidos do g1 Paraná: Leia mais notícias da região em g1 Norte e Noroeste.