Ibama multa Governo do Paraná em R$ 2,5 milhões por poluição do mar com sacos plásticos usados para conter erosão em praia durante shows

Governo recebe multa do Ibama de R$ 2,5 milhões por sacos plásticos O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) multou...

Ibama multa Governo do Paraná em R$ 2,5 milhões por poluição do mar com sacos plásticos usados para conter erosão em praia durante shows
Ibama multa Governo do Paraná em R$ 2,5 milhões por poluição do mar com sacos plásticos usados para conter erosão em praia durante shows (Foto: Reprodução)

Governo recebe multa do Ibama de R$ 2,5 milhões por sacos plásticos O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) multou em R$ 2,5 milhões o Governo do Estado do Paraná por poluição. A infração foi identificada pelo órgão depois de vistorias que apontaram que os sacos plásticos cheios de areia usados na contenção de um degrau na orla de Matinhos foram encontrados em diversos pontos do litoral. O "paredão" de areia se formou na praia, próximo ao palco onde o governo do estado organizou shows gratuitos do Verão Maior Paraná em janeiro. O relatório de fiscalização do Ibama afirma que "a equipe constatou que os sacos de ráfia utilizados estavam espalhados pela praia, inclusive confirmando que teriam sido levados pelo mar, sendo encontrados em locais distantes da área da contenção". Segundo o Ibama, há registros do material na cidade vizinha, Guaratuba, e até na divisa do Paraná com o estado de São Paulo, dentro do Parque Nacional do Superagui. ✅ Siga o canal do g1 PR no WhatsApp Os fiscais encontraram ainda corpos de crustáceos mortos, emaranhados na manta colocada para segurar os sacos. "No momento da execução do projeto de retenção da erosão, estava prevista como uma possibilidade um novo evento de ressaca que poderia levar os materiais utilizados ao mar. Tanto a qualidade dos materiais, quanto os meios empregados para fixá-los na posição eram claramente insuficientes para a tarefa", diz o relatório do Ibama. Por causa disso, o Instituto aponta que o Governo do Estado "estava ciente e assumiu o risco de dispersão e lançamento dos resíduos sólidos no mar." Fiscalização encontrou carcaças de crustáceos presos na malha usada para fixar os sacos de areia Ibama O laudo afirma ainda que os sacos são compostos por materiais não biodegradáveis: polipropileno, um tipo de polímero plástico. Exposto ao tempo, esse material perde o formato original e forma microplásticos que, segundo o Ibama, "afetam toda a cadeia alimentar" e a vida marinha. Além disso, os sacos podem se prender a espécies de todos os portes, provocando a morte de animais. Everton Souza, diretor-presidente do Instituto Água e Terra (IAT), órgão do governo do estado responsável pela gestão ambiental, disse que pretende recorrer da multa imposta pelo Ibama. "Nós vamos observar com muito critério todas as alegações que o Ibama está fazendo e vamos nos defender", afirmou em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná. O prazo para o recurso é de vinte dias. O Ministério Público Federal também solicitou uma perícia para analisar o material plástico usado na contenção do degrau, trabalho que está sendo feito pelo laboratório da Polícia Federal. A análise vai apontar exatamente qual é o tipo de plástico usado pelo Governo do Paraná na praia e a dimensão dos riscos que ele representa à vida marinha. Contenção de "paredão" de areia custou R$ 2 milhões Sacos feitos de plástico foram usados para conter degrau formado na praia Ibama O trabalho de contenção do degrau de areia formado após a ressaca foi feito pela empresa Zuli Construtora de Obras LTDA., contratada pelo Instituto Água e Terra (IAT), órgão do governo do estado responsável pela gestão ambiental. De acordo com o Portal da Transparência, o valor atual do contrato é de R$ 2.045.171,74 e as obras ainda estão sendo executadas. Em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, o diretor-presidente do IAT, Everton Souza, disse que o Instituto Água e Terra multou a empresa. "Foram multados em R$ 300.000 num auto de infração e R$ 30.000 no outro auto, por motivações relativas a esse desprendimento de materiais", afirma Souza. O representante do IAT disse ainda que "mais de 90% daquele material foi recuperado" e que a empresa fez as correções devidas. Segundo o IAT, o desprendimento dos sacos para o mar não se repetiu depois disso. O g1 e a RPC não conseguiram contato com a construtora Zuli. Sacos parecidos com os usados para evitar paredão de areia em Matinhos são encontrados espalhados nas praias do Paraná RPC Shows devem ser mantidos no mesmo local no ano que vem Apesar dos problemas apontados pelo Ibama e pelo Ministério Público Federal, o governo do estado disse que pretende manter a realização dos shows do Verão Maior no mesmo ponto nos próximos anos. O ponto da Praia Brava de Caiobá é a região da orla mais afetada por erosões. O IAT disse que está em estudo a instalação de um recife artificial, que deve ser colocado na faixa de água para conter a força das ondas. Ainda não há previsão para a obra. Governo também foi multado em 30 mil reais por danos à vegetação durante shows Restinga ficou danificada após evento organizado pelo Governo do Paraná RPC O Ibama também multou o Governo do Estado do Paraná em cerca de R$ 30 mil por causa dos danos à restinga (vegetação nativa da orla) na região da arena de shows do Verão Maior Paraná. As áreas de restinga são consideradas Área de Preservação Permanente (APP) e têm papel importante para o ecossistema, inclusive na contenção de erosões. As raízes das plantas que compõem a restinga ajudam a "segurar" a areia da praia, evitando que seja levada pelo mar em períodos de ressaca. A vegetação também serve como uma barreira entre a cidade e o mar, evitando que a poluição chegue ao oceano. Em Matinhos, a importância da restinga é tema de discussões desde o início das obras de engorda da orla, quando a vegetação foi arrancada pelas equipes do Instituto Água e Terra (IAT) em dezembro de 2022 e, depois, teve que ser replantada. Em janeiro de 2026, durante os shows do Verão Maior, conforme o Ministério Público Federal, a vegetação protegida foi pisoteada por parte do público que frequentou os shows. Ao lado da restinga, estavam instalados banheiros químicos. A pedido do Ministério Público, o Ibama fez uma vistoria e constatou a degradação em cerca de 700 m² da vegetação. Havia grades para isolar o local, com placas informando que se tratava de uma área de restinga. Porém, conforme o Ibama, a proteção não foi suficiente. O diretor-presidente do IAT afirma que "prontamente, já na sequência, [o IAT] tomou medidas que praticamente recuperaram aquele pisoteamento. E para a sequência dos outros shows, esse fato já não aconteceu mais, inclusive por conta de um reforço da segurança". Faixa de areia passou por obras de "engorda" em 2022 A orla de Matinhos passou por obras para aumentar a faixa de areia em 2022. Entre 2020 e 2021, um grupo de pesquisadores da UFPR publicou três notas técnicas apontando para "graves consequências ambientais, paisagísticas e financeiras do empreendimento, assim como para a qualidade de vida da população afetada, especialmente a longo prazo". O parecer final recomendou o "cancelamento dos procedimentos de execução da obra e novo rito de licenciamento e viabilidade ambiental". De acordo com os pesquisadores, a erosão que atinge a orla de Matinhos tem origem na ocupação irregular da região de areia e degradação da vegetação nativa. "Com a retirada da vegetação primária de restinga, somada à ocupação da faixa de areia por edificações antrópicas, perdeu-se demasiadamente o equilíbrio ecossistêmico na região. Esses impactos culminam com o aumento da vulnerabilidade das áreas costeiras a ressacas", destacou o documento. LEIA TAMBÉM: Fofura: Delegado interrompe condução de preso para cumprimentar cachorro comunitário e gentileza viraliza Crime: Homem que matou freira em convento é denunciado por feminicídio, estupro e outros dois crimes Entenda: Médico é condenado a seis anos de prisão por cobrar pacientes para 'furar fila' do SUS VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná