Felipe VI visita Ceuta e Melilla a 13 e 14 de outubro
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A visita às duas cidades autónomas espanholas, enclaves no norte de África com fronteiras com Marrocos, "foi acordada pelo Governo e a Casa Real" e Felipe VI viajará a com a rainha, Letizia Ortiz, segundo o comunicado.
Estas deslocações de Felipe VI, as primeiras do atual chefe de Estado aos enclaves, ocorre dois meses e meio após a entrada em de mais de 70.000 pessoas de forma ilegal em Ceuta em julho e já tinham sido anunciadas pelo primeiro-ministro, Pedro Sánchez, embora se desconhecessem as datas até agora.
O monarca vai transmitir "o compromisso absoluto do Estado" com os dois enclaves espanhóis no norte de África, alvo de reivindicações de soberania por parte de Marrocos, disse Pedro Sánchez, numa intervenção no parlamento nacional, em Madrid, em 03 de setembro.
"Estas cidades são há séculos espanholas e desde aquele tratado [com Marrocos de 1865] são espanholas por acordo diplomático. E asseguro-vos que, por parte do Governo de Espanha, vão continuar a sê-lo até ao final dos tempos", declarou Sánchez.
Felipe VI é Rei de Espanha desde 2014 e a última visita de um chefe de Estado espanhol a Ceuta e Melilla foi em 2007, nas únicas deslocações aos enclaves que fez Juan Carlos I, o pai do atual monarca.
As deslocações de poucas horas a cada uma das cidades de Juan Carlos I desencadearam então uma crise diplomática com Marrocos, que retirou temporariamente o embaixador de Madrid.
A imprensa espanhola, citando diversas fontes da época, noticiou que as visitas do anterior monarca foram anunciadas a Marrocos e negociadas com Rabat, com a reação das autoridades marroquinas a ser já a esperada por parte de Madrid.
O Governo de Espanha chamou há algumas semanas a embaixadora de Rabat em Madrid, Karima Benyaich, para protestar por "declarações inaceitáveis" de dois ministros marroquinos nas no mês de agosto relacionadas com Ceuta e Melilla.
Os dois ministros defenderam "a libertação" dos dois territórios e reivindicaram a soberania de Marrocos sobre Ceuta e Melilla.
Sobre o ocorrido em Ceuta, Pedro Sánchez tem dito não existirem, até agora, provas de uma ação "desenhada ou executada" por Marrocos, mas reconheceu pela primeira vez em 03 de setembro no parlamento que existem "dúvidas, indícios e perguntas que estão ar" sobre o papel e a atuação das autoridades de Rabat.
Reconheceu também que "é evidente que depois do ocorrido", a cooperação com Marrocos, país que tem um "papel chave na gestão dos fluxos migratórios" para Espanha, "tem de ser diferente" e têm de ser revistos os "mecanismos de coordenação e alerta" que o Governo tem com o Estado marroquino para "construir garantias adicionais".
Na semana passada, o primeiro-ministro revelou que o Governo espanhol pediu "ações e explicações" a Marrocos pela falta de controlo da fronteira com Ceuta em 30 de julho.
Além de serem dois enclaves espanhóis, Ceuta e Melilla têm as únicas fronteiras da Europa no continente africano.
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