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Extrema-direita preside parlamento alemão pela 1.ª vez desde 1945

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                    Extrema-direita preside parlamento alemão pela 1.ª vez desde 1945
Extrema-direita preside parlamento alemão pela 1.ª vez desde 1945 (Foto: Reprodução)

Em votação secreta, 48 deputados votaram a favor do candidato indicado pelo partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD), Tobias Rausch, 29 votaram contra e cinco abstiveram-se na eleição para a presidência do parlamento regional do estado da Saxónia-Anhalt, segundo os dados oficiais.

 

Esta maioria absoluta — numa assembleia de 83 lugares — superou as expectativas, pois o partido só havia recebido o apoio público dos cinco deputados da formação de extrema-esquerda pró-Rússia BSW.

Nas eleições no início de setembro, a AfD — um partido anti-imigração e pró-Rússia — esteve muito perto de obter a maioria absoluta na Saxónia-Anhalt, conquistando 39 dos 83 lugares da assembleia regional, muito à frente dos conservadores da CDU, partido do chanceler alemão, Friedrich Merz.

Foram resultados inéditos na Alemanha do pós-guerra e um verdadeiro terramoto político para o chanceler, cuja coligação com os sociais-democratas tem tido dificuldades em chegar a acordo sobre reformas no país.

Segundo a imprensa regional, a AfD e o BSW chegaram a acordo sobre possíveis áreas de cooperação, nomeadamente a criação de uma comissão de inquérito sobre a gestão da pandemia de coronavírus pelas autoridades e uma reforma do sistema público de radiodifusão regional, acusado de servir os partidos tradicionais.

A líder do partido A Esquerda (Die Linke, de extrema-esquerda), Evan von Angern — que presidiu e abriu a sessão antes da eleição de Rausch por ser a deputada com mais tempo de mandato —, citou no seu discurso o artigo 37.º da Constituição da Saxónia-Anhalt para lembrar que as autoridades são obrigadas a evitar "a revitalização e a difusão do pensamento nacional-socialista, a glorificação do sistema de dominação nazi e as atividades racistas e antissemitas".

Antes da eleição de Rausch, houve protestos, e muitos recordaram que o último político de extrema-direita a presidir um parlamento na Alemanha tinha sido o alto dirigente nazi Hermann Göring.

A fundadora do BSW, Sarah Wagenknecht, rejeitou a comparação e afirmou que não era "um Göring 2.0 que se apresentava para a eleição" do parlamento regional.

Rausch, de 35 anos, é considerado um pragmático dentro da AfD e não tem um perfil ideológico, embora tenha estado envolvido, este ano, num escândalo de alegado tráfico de influências.

A AfD emendou uma segunda vitória nas recentes eleições em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental (nordeste), causando um novo impacto sísmico na política, embora se espere que uma coligação de esquerda acabe por governar a região.

No âmbito nacional, a AfD ultrapassou, pela primeira vez, a marca dos 30% numa sondagem publicada na segunda-feira.

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