Ex-ministro pede apoio precoce aos alunos e ação para além da escola
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João Costa esteve hoje a ser ouvido de urgência no parlamento a pedido do Chega por causa dos maus resultados dos alunos portugueses de 15 anos nos testes internacionais realizados pela OCDE, o PISA (Programme for International Student Assessment).
"Temos de olhar para estes dados de forma mais cautelosa para não partirmos para a gritaria de a culpa foi deste ou foi daquele", disse o ex-ministro João Costa, defendendo que se devem evitar duas tentações: relativizar os resultados ou usá-los para leituras partidárias e simplistas.
Os alunos portugueses tiveram os piores resultados das duas últimas décadas a Matemática e Português nos testes PISA de 2025 e João Costa nunca negou uma quota-parte de responsabilidades, uma vez que foi secretário de Estado da Educação entre 2015 e março de 2022 e depois ministro até 2024.
No entanto, sublinhou hoje que é importante haver "rigor analítico, responsabilidade política e capacidade coletiva para aprender com os dados".
O agravamento dos resultados dos portugueses acompanha uma tendência internacional e João Costa apontou como possíveis explicações a pandemia, o aumento das desigualdades, os problemas de bem-estar e a crescente utilização do digital, que afeta a leitura, a concentração e a aprendizagem.
"O declínio é comum a países muito diferentes, por isso, temos de olhar também para fatores sociais, tecnológicos e culturais comuns", disse, defendendo que é preciso saber interpretar os resultados e transformá-los em ações concretas.
Para João Costa é preciso apoiar mais precocemente os alunos com dificuldades e tem de haver uma "colaboração intersetorial": Não basta olhar para dentro da sala de aula, é preciso ter em atenção os problemas de habitação das famílias dos alunos, olhar para quem passa fome ou para as "famílias que têm de ter dois ou três empregos porque não conseguem pagar as contas".
Investir na formação de professores é outra das medidas essenciais para o ex-ministro, que acredita que não é preciso "uma chave mágica", mas sim "trabalho persistente, monitorização inteligente e apoio consistente às escolas".
Para João Costa, "os sistemas educativos não melhoram por causa de uma medida isolada. Melhoram por acumulação coerente de políticas ao longo do tempo".
Por isso, entende que se deve aprender com os países que resistem ao declínio, mas sem copiar modelos fora do seu contexto: "Comparar é necessário, copiar sem contexto é perigoso", alertou.
Sobre as alterações aos currículos feitas no seu mandato, o ex-ministro reconheceu que o currículo é importante, mas não explica tudo, lembrando que existem países com bons resultados com modelos curriculares diferentes, alguns mais centrados em conhecimento, outros mais centrados em competências.
Para João Costa, o ponto central é a qualidade do ensino, a profundidade da aprendizagem e a capacidade de trabalhar textos, problemas e conceitos complexos.
"Precisamos de gelo nas veias: olhar para os resultados com seriedade, agir com responsabilidade e não esquecer que educar é muito mais do que subir num 'ranking'", defende.
Durante a audição, os deputados do PSD, CDS e Chega foram os mais críticos de João Costa, acusando-o de ser o principal responsável pelos maus resultados dos alunos portugueses.
"A pandemia e as novas tecnologias podem explicar uma parte, mas não explicam tudo", disse o deputado do Chega José Carvalho, falando em "examicídio", numa referência à decisão de substituir os exames do 4.º e 6.º anos por provas de aferição.
"Parabéns, passa à história como o pior ministro da Educação da democracia portuguesa", disse o deputado Paulo Núncio, do CDS, que acusou João Costa por "oito anos desastrosos de política".
João Costa criticou a intervenção de Paulo Núncio, pedindo-lhe para "não repetir chavões que não ajudam em nada".
Nas respostas aos deputados, João Costa prometeu ainda enviar um dossier com todas as medidas que tomou enquanto esteve no Ministério da Educação.
Na audição desabafou que gostaria de ter feito como o Reino Unido, que se destaca "por ter gasto mais recursos no acompanhamento da recuperação das aprendizagens" perdidas durante a pandemia.
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