'Ele já veio aqui cedo': o que jovem morta em tentativa de estupro no Paraná disse em áudios sobre visitas de 'menino' à academia
Antes de ser morta, jovem enviou áudios a amigo reclamando de visitas de 'menino' Thaissa de Oliveira Marques enviou áudios a um amigo relatando visitas const...
Antes de ser morta, jovem enviou áudios a amigo reclamando de visitas de 'menino' Thaissa de Oliveira Marques enviou áudios a um amigo relatando visitas constantes de um "menino" no trabalho dela, antes de sofrer uma tentativa de estupro e ser assassinada a facadas em Londrina, no Norte do Paraná. Em um dos trechos, ela disse que a pessoa também enviou currículos para a academia em que ela havia sido recém-contratada. Ouça no vídeo acima. "Pior que ele já veio aqui cedo. Ele tinha falado com a menina da manhã que queria conversar com o gerente", a vítima disse em um dos trechos. A jovem de 21 anos foi morta no estacionamento do estabelecimento, que se preparava para a inauguração, enquanto entregava panfletos, na sexta-feira (11). ✅ Siga o g1 Londrina e região no WhatsApp Segundo a Polícia Civil (PC-PR), o principal suspeito é Gabriel de Andrade, de 21 anos. Ele foi preso em flagrante no mesmo dia do crime. Ao g1, a defesa dele informou que acompanha o caso e aguarda o desenvolvimento das investigações. Clique aqui para ler na íntegra. Ao g1, a polícia confirmou que os áudios fazem parte da investigação e estão no inquérito. "Os elementos obtidos até o momento permitem identificar a pessoa referida neles como sendo o mesmo indivíduo que foi preso pelo feminicídio", diz o comunicado. Thaissa Gabriely Oliveira Marques, de 21 anos Redes sociais Os áudios foram enviados no dia 8 de setembro. Neles, a vítima conta ao amigo que a pessoa já havia ido ao menos cinco vezes à academia. Em um trecho, ela demonstrou estar incomodada com essa insistência e que esperava que as visitas estivessem gravadas. "Eu fui mostrar para ele a academia, ali. Aí eu peguei e entrei já pensando: 'Tem câmera, né? Qualquer coisa, espero que o meu gerente esteja olhando'. Aí, fomos. Chegando perto do banheiro, eu falei: 'Ah, ali são os banheiros e tudo mais, mas você não tem interesse em ver, não, né?'. Aí ele: 'Não, quero ver os banheiros'. E eu pensando: 'Não tem câmera'", Thaissa disse em áudio. O delegado Magno Miranda disse, na segunda-feira (14), que o gerente da academia confirmou em depoimento que Gabriel se inscreveu para uma vaga de emprego antes do crime. Contudo, ele não foi selecionado. Leia mais sobre o caso: 'Brutalidade sem tamanho, uma monstruosidade', diz tio de jovem Estudante de nutrição e irmã mais nova: quem era a vítima Thaissa foi atingida por 44 facadas Thaissa foi atacada por homem enquanto trabalhava entregando panfletos, em Londrina. Redes sociais/Reprodução Suspeito disse que foi assaltado Após o crime, Gabriel fugiu e parou em uma rua próxima ao estabelecimento porque estava com ferimentos na mão. Ele foi socorrido por pessoas que estavam no local e afirmou que havia sido assaltado. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e a PM foram acionados para fazer atendimento da ocorrência do suposto assalto. Enquanto as equipes atendiam à suposta ocorrência, trabalhadores que foram à academia para prestar serviços encontraram manchas de sangue no local e avisaram a polícia. Os agentes foram até o estabelecimento e encontraram o corpo de Thaissa. Confrontado pelos policiais, o homem confessou o crime. "Ainda segundo os agentes, ele também teria declarado que pretendia estuprá-la e que, não conseguindo consumar o ato, acabou por matá-la", diz a nota da polícia. Ele foi preso em flagrante por homicídio qualificado consumado e tentativa de estupro. No depoimento à Polícia Civil, entretanto, Gabriel de Andrade apresentou versões contraditórias e disse que não se lembrava de detalhes, afirmando se recordar apenas de ter ido à academia onde o crime aconteceu. Nesta quinta-feira (17), ele permanece preso. O que a defesa diz O advogado Antônio Magalhães, que representa Gabriel, informou que acompanha o caso e aguarda o desenvolvimento das investigações. Leia na íntegra: "A defesa técnica do acusado vem a público esclarecer que acompanha o caso com absoluto respeito à gravidade dos fatos, à família da vítima e à atuação das autoridades responsáveis pela investigação. O acusado, de 21 anos, possui diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), circunstância que, segundo a defesa, deve ser devidamente considerada pelas autoridades competentes na análise individualizada do caso. A defesa esclarece que não pretende utilizar o TEA como justificativa para o ocorrido, tampouco estabelecer qualquer relação entre autismo e violência. O que se busca é assegurar que sejam apuradas, de maneira técnica e responsável, as condições pessoais e comportamentais do acusado no momento dos fatos, inclusive mediante avaliação especializada, se necessária. O acusado colaborou com as autoridades e prestou esclarecimentos sobre o ocorrido. A defesa entende que todas as circunstâncias deverão ser analisadas conjuntamente, sem pré-julgamentos e respeitando-se o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa. Neste momento, a prioridade da defesa também é assegurar que o acusado, enquanto custodiado, receba tratamento compatível com sua condição de pessoa com TEA, com as medidas necessárias à preservação de sua integridade física e psicológica e à adequada assistência durante a custódia. A defesa reitera seu compromisso com a verdade, com a legalidade e com uma atuação responsável, aguardando o regular desenvolvimento das investigações e das providências judiciais cabíveis." VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias em g1 Norte Noroeste.