Como o El Niño tem relação com as tempestades no Paraná? Veja como está e a previsão sobre o fenômeno

El Niño pode ser o mais intenso desde 1950 e agravar clima no Brasil Nos últimos dias, o Paraná foi assolado por tempestades que provocaram diversos estragos...

Como o El Niño tem relação com as tempestades no Paraná? Veja como está e a previsão sobre o fenômeno
Como o El Niño tem relação com as tempestades no Paraná? Veja como está e a previsão sobre o fenômeno (Foto: Reprodução)

El Niño pode ser o mais intenso desde 1950 e agravar clima no Brasil Nos últimos dias, o Paraná foi assolado por tempestades que provocaram diversos estragos em diferentes regiões do estado. Parte da "culpa" é do El Niño, que historicamente está associado a chuvas acima da média na Região Sul, com aumento na frequência de eventos meteorológicos severos como vendavais intensos, precipitação de granizo, inundações e enxurradas e, por consequência, deslizamentos de terra. A intensificação do fenômeno já era prevista; segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) ele já é considerado forte e pode ficar ainda mais nas próximas semanas. ✅ Siga o canal do g1 PR no WhatsApp Segundo o órgão, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica Americana (NOAA) concluiu que o El Niño já deixou a temperatura em 1,8°C acima da média na área de referência para monitoramento; ou seja, na região do Pacífico equatorial, o que impacta na atmosfera global. "Até o verão 2026/2027, o Paraná poderá ter maior frequência de períodos com chuva acima da média, com possibilidade de concentração de volumes elevados em poucos dias. [...] Há probabilidade acima de 90% de que o evento seja categorizado como muito forte entre a primavera e o verão no Brasil. Entre outubro e dezembro deste ano, há 75% de chance de que ele seja o mais forte de todos os El Niños já registrados desde 1950. O pico do fenômeno será entre novembro e janeiro, quando as previsões da NOAA apontam que a temperatura da superfície do mar fique 2,9°C acima da média". PREVISÃO DO TEMPO: Temporais se afastam do Paraná e frio começa a tomar conta do estado; veja a como fica a semana Com este cenário climático, o Simepar aponta previsão de chuva acima da média concentrada em poucos dias, o que aumenta o risco de temporais severos, granizo, raios, enxurradas e cheias repentinas, saturação do solo e movimentos de massa no Paraná. Apesar da previsão de chuva acima da média para todas as regiões, os prognósticos indicam que os maiores desvios devem ocorrer nas regiões Centro-Sul, Sul, Oeste e Sudoeste. "Apesar do El Niño influenciar o comportamento de precipitação e temperatura no Paraná, indicando meses e estações do ano em que estas variáveis fiquem bem distantes das médias históricas, o Simepar ressalta que o acompanhamento diário e contínuo das previsões do tempo e suas atualizações são indispensáveis, pois os períodos específicos em que os episódios de chuva irão ocorrer dependem dos tipos de sistemas atuantes na região (frentes frias, sistemas de baixa pressão ou sistemas semiestacionários, por exemplo)". Leia também: Enchente: Aulas são suspensas em escolas alagadas ou usadas como abrigo para famílias que tiveram que sair de casa Estrada alagada: Família fica ilhada em teto de carro e é resgatada pelos bombeiros Avaliamos que era muito mais importante': Time de futebol interrompe treino para ajudar vítimas de enchente no Paraná a dois dias de jogo decisivo Tornado destruiu casas em Piraí do Sul Edson de Oliveira e RPC 📍O que o El Niño já provocou no Paraná? O Simepar destaca que o El Niño já vem demonstrando impactos no Paraná desde o início do inverno, somado a fenômenos como frentes frias, cavados, sistemas de baixa pressão, jatos de baixos níveis e sistemas convectivos, por exemplo. Em agosto, entre as 47 estações meteorológicas do Simepar com mais de cinco anos de operação, apenas três registraram chuva abaixo da média: Cianorte, Maringá e Apucarana. Os registros de chuva foram os maiores para o mês de agosto desde a instalação das estações meteorológicas do Simepar em Fazenda Rio Grande, em 2009, em Laranjeiras do Sul, em 2017, e no Distrito de Horizonte, em Palmas, em 2019. Em julho, somente quatro estações meteorológicas do Simepar registraram volume de chuva abaixo da média histórica para o mês: Antonina, Cerro Azul, Guaratuba e Guaraqueçaba. Nas outras quarenta e uma estações, o volume de chuva superou a média, com alguns registros históricos. Os 311 mm de chuva em julho de 2026 na estação meteorológica de Palmas, por exemplo, foi a maior marca para o mês desde a instalação da estação na cidade, há 28 anos. Também registraram o maior volume de chuva para julho, em 2026, as estações que ficam em Altônia (maior volume de chuva desde 2018); em Cianorte (desde 2017); em Cornélio Procópio (desde 2019); em Cruzeiro do Iguaçu (desde 2022); em Foz do Iguaçu (desde 2017); e em Ubiratã (desde 2018). Em junho, o cenário foi parecido. Entre as mesmas estações, apenas uma registrou volume de chuva abaixo da média histórica para o mês: a que fica na Reserva Natural Salto Morato, em Guaraqueçaba, teve 10,2 mm a menos do que o valor médio para o período. Alagamento em União da Vitória, no sul do Paraná RPC 🌎O que é o El Niño O El Niño - Oscilação Sul (ENOS) é um fenômeno que ocorre na região do Oceano Pacífico equatorial e nas áreas próximas, caracterizado por variações anômalas na temperatura da superfície do mar e na circulação atmosférica. "É um dos fenômenos climáticos mais importantes da Terra devido a sua capacidade de alterar a circulação atmosférica global e, como consequência, influenciar o comportamento da temperatura do ar e da precipitação em vastas áreas da Terra por períodos que vão de vários meses a anos", diz o Simepar. O El Niño é a componente oceânica deste fenômeno, e corresponde ao aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial em relação à média climatológica. Os dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica Americana (NOAA) mostram que o El Niño se fortaleceu no último mês e a temperatura já está 1,4°C acima da média na principal área monitorada. A temperatura da água do mar da camada até 200 metros de profundidade do Oceano Pacífico equatorial central e oriental também está muito acima da média climatológica em uma ampla área. "Já a Oscilação Sul corresponde à componente atmosférica do ENOS e está relacionada com as variações na pressão atmosférica ao nível do mar entre o Oceano Pacífico tropical oeste e leste. Já são observadas mudanças na direção dos ventos na baixa e alta atmosfera (áreas entre 10 km da superfície da Terra, e até 1,5 km)". Vídeos mais assistidos do g1 Paraná: Leia mais notícias da região em g1 Campos Gerais e Sul