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Cheias em Moçambique. Cruz Vermelha assistiu mais de 80 mil pessoas

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                    Cheias em Moçambique. Cruz Vermelha assistiu mais de 80 mil pessoas
Cheias em Moçambique. Cruz Vermelha assistiu mais de 80 mil pessoas (Foto: Reprodução)

De acordo com a atualização de seis meses da operação de resposta às cheias em Moçambique, divulgada pela entidade que coordena e apoia as sociedades nacionais da Cruz Vermelha, 41.525 pessoas receberam apoio em abrigo e bens não alimentares, enquanto 41.775 beneficiaram de ações de promoção de saúde, higiene e prevenção de doenças.

 

A operação foi desencadeada após as chuvas intensas e prolongadas que atingiram várias regiões do país entre o final de dezembro de 2025 e os primeiros meses de 2026, afetando 724.131 pessoas.

"Moçambique continua a enfrentar uma crise humanitária significativa após inundações intensas e prolongadas que começaram no final de dezembro de 2025", refere a IFRC no relatório.

As cheias afetaram mais de 201 mil habitações e destruíram cerca de 440 mil hectares de culturas agrícolas, mas os efeitos ainda hoje se sentem, sobretudo no sul.

"A escala da destruição continua a comprometer os meios de subsistência e a recuperação das comunidades atingidas", assinala a organização.

A IFRC indica ainda que 4.897 pessoas foram retiradas de zonas de risco durante a emergência e que mais de 10 mil beneficiaram de assistência antecipada antes do agravamento das condições meteorológicas.

Apesar da diminuição da precipitação em várias províncias, a situação humanitária continua a suscitar preocupações, com mais de 32 mil pessoas ainda acolhidas em centros de acomodação temporária.

"Os centros de acomodação continuam a enfrentar necessidades em matéria de abrigo, água, saneamento, cuidados de saúde e proteção", lê-se no relatório.

A organização alerta igualmente para os riscos sanitários persistentes nas zonas afetadas.

"A água estagnada, os sistemas de saneamento danificados e as condições de sobrelotação aumentam o risco de surtos de cólera, malária e outras doenças transmitidas pela água", sublinha.

A operação de emergência da IFRC pretende apoiar 75 mil pessoas até janeiro de 2027, mas no relatório indica-se que o apelo financeiro lançado para sustentar a resposta estava financiado em apenas 47% no final de setembro.

"São necessárias contribuições adicionais para permitir que a resposta humanitária prossiga e para reforçar a resiliência das comunidades afetadas pelas cheias", acrescenta-se.

Moçambique é considerado um dos países africanos mais vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas, enfrentando regularmente cheias, ciclones tropicais e tempestades severas.

Segundo os dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), a última época chuvosa (outubro de 2025 a abril de 2026) causou 311 mortos e afetou cerca de 1,07 milhões de pessoas.

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