Bloqueios estudantis caem 30% em França (e governo abre-se ao diálogo)
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O responsável reuniu-se durante o dia com organizações estudantis para tentar reduzir a tensão e abrir espaço para o diálogo.
Em declarações à comunicação social, Geffray cifrou em 735 as escolas secundárias cujo funcionamento foi hoje afetado pelo movimento, em contraste com cerca de 1.050 na quinta-feira, e afirmou que cerca de uma centena de escolas do ensino básico foi também afetada, a maioria delas situada em complexos educativos que incluem escolas secundárias ou nas suas proximidades.
Quatrocentas escolas secundárias permaneceram hoje encerradas e ministraram aulas 'online', ao mesmo tempo que foram proibidas concentrações nas suas imediações.
Após um primeiro balanço da polícia, divulgado às 11:00 locais (10:00 de Lisboa), que dava conta de 600 detenções, esse número foi atualizado para um total de 1.700 detenções durante todo o dia.
Para responder às reivindicações dos estudantes, o ministro anunciou medidas, entre as quais um plano para acelerar a substituição de professores ausentes, que será iniciado na próxima semana pelos responsáveis regionais da Educação.
Anunciou igualmente que vai abrir um período de debate sobre os horários escolares e que começará de imediato a trabalhar na questão da participação e representação dos alunos nas escolas.
Geffray reconheceu que os alunos são "frequentemente consultados, mas nem sempre ouvidos" e apontou como principais questões a tratar com eles as condições das instalações escolares, o tamanho das turmas e os horários.
Sobre os horários, alertou que as alterações não poderão ser aplicadas no ano letivo de 2027-2028 devido ao calendário das eleições presidenciais, que se realizam na próxima primavera.
Apesar das medidas anunciadas por Geffray, as organizações estudantis consideraram insuficientes os compromissos e apelaram para a manutenção dos bloqueios às escolas e das mobilizações, estando uma nova jornada de protesto nacional agendada para a próxima terça-feira.
A União Sindical dos Estudantes do Ensino Secundário (USL) lançou um apelo para que os alunos franceses participem naquilo que designaram como "Ato III", a que se juntarão também os sindicatos CGT e Solidaires, bem como os principais sindicatos da área do ensino.
Em Paris, foi entregue um pedido de autorização para uma manifestação na Praça da República, na terça-feira, às 14:00 (13:00 de Lisboa).
Falando à imprensa após a reunião com o ministro, os representantes estudantis distanciaram-se dos episódios de violência registados durante os protestos, atribuindo-os a pessoas estranhas às escolas e classificando-os como "absolutamente abjetos", e denunciaram uma atuação policial que consideraram problemática.
Uma observação também feita pelo Sindicato da Magistratura — a segunda maior associação de juristas do país — que, em comunicado, acusou o Governo de dar "uma resposta violenta" à "ira legítima dos estudantes" e sustentou que o uso da força "não é uma resposta adequada a um movimento formado essencialmente por crianças".
Por seu lado, Geffray indicou que hoje houve três profissionais de educação feridos, após os 31 de quinta-feira, e condenou os "atos de extrema violência" registados durante o movimento de contestação estudantil.
O protesto foi desencadeado pela deterioração das condições nas escolas, incluindo ausência de substituição de professores, problemas de manutenção e condições consideradas precárias pelos alunos.
O movimento, que começou nos arredores de Paris, alastrou depois a diversos pontos do país.
O Governo acusou o partido França Insubmissa (LFI, na sigla em francês) de contribuir para alimentar a mobilização violenta, acusação que o partido de esquerda radical rejeitou.
Muito comentado hoje na comunicação social francesa foi o ataque a um polícia à paisana em Belfort, no leste do país, um episódio gravado por telemóveis e que circula nas redes sociais.
Depois de tentar deter um dos manifestantes violentos, o polícia foi cercado por outros elementos do grupo, que o deitaram ao chão, onde foi pontapeado na cabeça até perder a consciência, facto que levou a acusação a abrir um inquérito por tentativa de homicídio e a iniciar uma investigação para identificar os autores.
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, considerou tais atos "inadmissíveis" e reiterou que, em muitos casos, a contestação é "violência urbana".
Em alguns municípios, os autarcas começaram a contactar os pais dos menores detidos nos protestos, seguindo instruções do ministro da Justiça, Gérald Darmanin, que pediu que fossem responsabilizados pelos atos dos seus filhos.
Os primeiros levantamentos feitos pelas autoridades regionais da Ilha de França - região administrativa que inclui Paris -, Grande Leste, Altos de França e Auvérnia-Ródano-Alpes estimam em várias dezenas de milhões de euros os danos nas escolas secundárias.
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