Açougueiro morto espancado por vingança após presenciar furto de carne: mais dois homens são acusados de envolvimento crime, no PR

Quatro homens são denunciados por assassinato de açougueiro no Paraná Mais dois homens foram acusados de se envolver no assassinato do açougueiro Alcides Mi...

Açougueiro morto espancado por vingança após presenciar furto de carne: mais dois homens são acusados de envolvimento crime, no PR
Açougueiro morto espancado por vingança após presenciar furto de carne: mais dois homens são acusados de envolvimento crime, no PR (Foto: Reprodução)

Quatro homens são denunciados por assassinato de açougueiro no Paraná Mais dois homens foram acusados de se envolver no assassinato do açougueiro Alcides Miguel de Castro, que foi morto espancado no meio da rua em Jaguariaíva, nos Campos Gerais do Paraná. As investigações apontam que "Cide", como era conhecido, presenciou duas mulheres tentando furtar o mercado onde ele trabalhava e, depois, foi atacado por vingança por quatro homens - sendo um deles o irmão de uma das mulheres. Relembre mais abaixo. Os quatro foram denunciados pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR): Gilmar Miranda de Matos (irmão da mulher) e Julio Cesar Manoel de Oliveira, que foram presos no mesmo dia e permanecem detidos e José Manoel de Oliveira e Misael Gonçalves de Andrade, os novos acusados, que estão respondendo ao processo em liberdade. Nenhum deles possui defesa constituída no processo. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 PR no WhatsApp A tentativa de furto aconteceu no dia 7 de janeiro e o açougueiro foi atacado quatro dias depois, enquanto estava em um bar. "Os denunciados atraíram a vítima para fora do estabelecimento comercial. Na sequência, cercaram Alcides, sendo que Gilmar, Josué e Misael iniciaram as agressões físicas com socos e empurrões, subjugando o ofendido e dificultando qualquer reação. Ato contínuo, aproveitando-se da vulnerabilidade da vítima já ferida, o denunciado Julio Cesar muniu-se de instrumento contundente (ripa de madeira) e desferiu violentos golpes contra a cabeça de Alcides, mesmo após ele já estar caído no chão, quanto os demais denunciados garantiam a execução da empreitada", diz o MP-PR. Os quatro se tornaram réus por homicídio duplamente qualificado, por motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima. De acordo com a Polícia Civil, em 2025 Julio Cesar Manoel de Oliveira já foi autuado por agredir uma pessoa utilizando um pedaço de pau. RELEMBRE: Preso por matar açougueiro a pauladas por vingança já agrediu outra pessoa da mesma maneira, diz polícia Açougueiro foi morto espancado por vingança após presenciar furto de carne Reprodução Leia também: Justiça: Vereador é condenado por dirigir bêbado, matar idoso atropelado em calçada e tentar fugir Acidente grave: Mulher fica presa às ferragens e mais cinco pessoas ficam feridas em engavetamento entre três carros e um caminhão na BR-476 Vídeo: Fã de 7 anos do Gusttavo Lima ganha cavalo do cantor após escrever carta e fazer pedido em show: 'Sonho realizado' Açougueiro foi morto por presenciar tentativa de furto, segundo a polícia Açougueiro morre espancado por vingança após aparecer em vídeo em que presencia furto de carne Reprodução Segundo a polícia, o açougueiro foi morto após aparecer em um vídeo que mostra duas mulheres tirando carnes de dentro da bolsa depois de serem abordadas por um funcionário do mercado onde o açougueiro trabalhava há mais de 30 anos. Alcides não foi o responsável nem por gravar o vídeo e nem por divulgá-lo, mas as imagens foram compartilhadas nas redes sociais e o açougueiro foi reconhecido por familiares das mulheres, que o atacaram por vingança, segundo a polícia. O espancamento foi filmado por pessoas que estavam no local, e o vídeo ajudou a polícia a identificar os suspeitos. O g1 optou por não divulgar as imagens porque elas são fortes. Os suspeitos fugiram do local do crime e, horas depois, dois foram encontrados e presos em flagrante. Ambos tiveram a prisão convertida em preventiva – ou seja, por tempo indeterminado. O açougueiro passou três dias internado, mas não resistiu aos ferimentos. "A vítima foi covardemente atingida por reiterados golpes de paulada na região da cabeça. Mesmo após perder a consciência, as agressões continuaram, resultando em lesões gravíssimas e perda de massa encefálica. Alcides foi socorrido e encaminhado em estado gravíssimo ao hospital, explica o delegado William Arantes Nunes. Luto A morte de Cide gerou comoção nas redes sociais. Muitos internautas que conheciam o açougueiro prestaram homenagens ao homem e demonstraram indignação em relação ao crime sofrido por ele. Veja o que diz uma das postagens, feita por Rafael Pomim: "Jaguariaíva sempre teve aquele hábito estranho de assistir à tragédia dos outros pela televisão, como se a distância do controle remoto fosse um talismã: acontece lá fora, aqui não. Mas hoje a tela apagou. Hoje a notícia saiu do noticiário e entrou pela porta de casa. Hoje uma cidade inteira chora Alcides Miguel de Castro, o Cide. Cide era um trabalhador comum, desses que a gente reconhece pelo avental, pela postura de quem acorda cedo e pelo respeito simples com que trata as pessoas. No balcão do açougue, entre pedidos, pesos e embrulhos, ele fez o que qualquer cidadão deveria poder fazer sem medo: apontou um erro, avisou quem tinha responsabilidade, confiou no certo. E então veio o absurdo. Veio a mensagem torta de uma época em que alguns acreditam que honra se lava no grito, na emboscada, na agressão; em que a culpa do outro vira desculpa para a violência; em que a covardia se fantasia de “justiça”. Não é justiça. É vingança. É a falência moral de quem escolhe ferir para se sentir forte. E, no fim, é sempre o inocente que paga a conta mais alta: a conta da vida, do silêncio definitivo, da cadeira vazia na mesa. Não dá para normalizar isso. Não dá para aceitar que, por causa de um fato pequeno, se acenda um incêndio que devora uma família inteira. Não dá para admitir que a rua vire tribunal e que o ódio vire martelo. Se o erro existe, há lei, há denúncia, há processo, há julgamento. O resto é barbárie. Jaguariaíva via isso na televisão. Hoje viu no próprio espelho. E há outra ferida, menos visível: quando um homem do bem cai, todos nós perdemos um pedaço de confiança. O comerciante fecha mais cedo, a mãe aperta a mão do filho, o amigo evita a esquina, e a cidade vai encolhendo. A violência não mata só uma pessoa: ela tenta matar a paz coletiva, o direito de voltar para casa em segurança, a certeza de que o trabalho honra. Que a morte de Cide não seja só luto, mas um alerta. Que a cidade escolha, com firmeza, o caminho do direito e da humanidade. E que a memória desse trabalhador, que confiou no certo, nos obrigue a dizer em voz alta: ninguém tem o direito de fazer justiça com as próprias mãos. Que a justiça seja feita pela lei, sem ódio, sem revanche já." Denúncias Saiba como denunciar crimes no Paraná A Polícia Civil do Paraná solicita a colaboração da população com informações que auxiliem em quaisquer investigações. As denúncias podem ser feitas de forma anônima pelos números 197, da corporação, 181, do Disque-Denúncia, ou diretamente à equipe de investigação. Se o crime estiver acontecendo naquele momento e/ou houver alguém em situação de perigo, a Polícia Militar deve ser acionada pelo telefone 190. Vídeos mais assistidos do g1 Paraná: Leia mais notícias no g1 Campos Gerais e Sul